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sábado, 1 de março de 2014

LITERATURA DE CORDEL

Autora: Helena Heloisa Manjourany Silva
Declamado na Feira do Livro do Cassino, para homenagear os colegas escritores e publicado na página dominical do CLIPE no Diário da Manhã de 16 de fevereiro.

Este grupo simpático
Forma o maravilhoso
Centro Literário Pelotense
O CLIPE está orgulhoso
E sensibilizado por participar
Desse momento glorioso.

Tomei a liberdade insana
De usar a literatura de cordel
Para falar desses escritores.
Não sou nenhum menestrel
Mas acho que conheço um pouco
Desse grupo bom pra “dedel”.

Fiquei fissurada em metaplasmos.
Línguas Vernáculas como estudar?
No avançado da idade vacilei
Apócope, antítese fico a pensar!
Com ‘u’ ou ‘l’, apenas fonética, deixa pra lá.
“Dedel” é coisa boa e serviu para rimar.

Ana Osório Aninha.
Meiga, muito querida,
Tem nos gatos sua inspiração
Por eles muito amada
Sua sensibilidade a todos enternece
Escrevendo da vida a própria vida.

Antenorina sensível Nina
Coração pleno de poesia e de vida
Participa de vários grupos seletos
Um pé aqui e o outro na estrada
Sempre sorrindo vai escrevendo
Compartilhando sua arte linda.

Antonio Miguel Albaini
Calado, quietinho sempre presente.
Possuidor de voz de radialista
Um timbre forte muito potente
Os textos que escreve saltam das páginas,
Envolvendo-nos profundamente.

Arzelinda, Linda como o próprio nome.
Canta, toca violão e escreve divinamente.
De fala suave e muito delicada
Recita igual um anjo lindamente
Não perde tempo falando alto
Espera pela sua vez pacientemente.

Eduardo de Almeida Farias
Sério, competente e companheiro.
Nosso poeta de Além-Mar
Alma portuguesa, coração brasileiro.
Tem que ter paciência de Jó
Para aquentar esse grupo brejeiro.

Fernanda, Fernandinha nossa neném.
Quietinha, quietinha a todos conquistou.
Escreve bem, mas não acredita.
É só entender que a palavra já elaborou.
No coração, na alma no espírito.
E o próprio texto na mente finalizou.

Eu sou Helena Heloisa com “h”
Porque na chamada o “h” no meio aparecia.
Assim nunca seria a primeira
E a última pro outro dia desaparecia.
Porém um erro meu pai cometeu
A Irmã Ilda Maria ele não conhecia.

Heloisa Zambonato eterna guerreira
Faz da criação literária sua sobrevivência
A cada hora tem o poema adequado.
Alertando sempre nossa consciência
É amiga sempre por inteiro
Dando lições com sua experiência.

Inalda Peters da Silva
Hábil fotógrafa e competente escritora
Traz consigo sempre um furacão
Quando chega feliz como professora
Ninguém ao seu lado fica triste
Dribla as mágoas como boa jogadora.

Iolanda Botelho, sem tempo.
A sua história em Mauá contou
Obra leve descontraída linda
Os dados com cuidado pesquisou
Entre campinas cresceu feliz
Sempre atrasada, mas nunca fraquejou.

Jacira de Souza nossa jornalista
Discurso firme, coração repleto de amor.
Sempre elegante nas festas sociais
Dá vida as palavras com muito louvor
Escreve para Pedro Osório
Mas vive cá entre nós com ardor

Joaquim Monks o “Poetinha”
Pseudônimo de escritor
Sendo um grande poeta.
De lindas metáforas, criador.
Acredito que seu espírito
Será um eterno prosador.

Jorge Fonseca o músico.
Chegou como se não quisesse nada
Cantou baixinho pra nossa presidente.
Seu coração roubou de uma só parada
Filósofo foi direto ao ponto
Escrevendo lindo para sua amada.

Lia Rosa a pequenina
Porem repleta de mil emoções
Fala mansa e delicada
Alegra nossos corações
Transforma sempre o ambiente
Sublime como as eternas canções

Maria Angélica nossa Angel.
Bancária por excelência
Do grupo está licenciada
Porque do banco foi exigência.
Sua falta, lamentamos.
Seu nome, lembramos com frequência.

Maria de Lourdes Poetsch
Discreta, elegante e divertida.
Solidária em qualquer campanha
Leal e amiga assumida
Discreta no que escreve, não badala.
Prefere em casa ficar aquecida.

Maria Isabel. Bel Plá, plácida,
Serena e muito consciente
Reflete em sua obra uma alma delicada.
No pesado pega quando chama a presidente
Não se omite as responsabilidades
Com seu amado Beto, vive livremente.

Maria Tereza amorosa
Dançando o amor encontrou
Formam um casal perfeito
Na Sociedade Italiana imaginou
Dar vazão à sua criatividade
Escrevendo, amando a vida cantou.

Marísia Vieira nossa oficineira.
Traz Jesus no nome e no coração
Fundadora e por duas vezes presidente
Oito livros publicados com emoção
A doutora tudo sabe, é muito exigente.
Tema não feito, não tem o seu perdão.

Raquel Monteiro, doçura de pessoa.
Presente com seus bolos a nos encantar
Transforma tudo em doces poemas
Sempre pronta para nos adoçar
Porem nos resta uma dúvida atroz:
Prefere mais escrever ou confeitar.

Sonia Cava a musicista
Sentada ao piano com seu amor
Levam a vida um ao lado do outro
Escreve, toca, canta com muito ardor
Muito atarefada está sempre a correr
Faz do tempo o aliado corredor.

Terezinha Lorena a presidente
Sempre alegre e alto astral
Tudo resolve com diplomacia
Com todos é muito legal
Ama deveras seu filósofo
Com um amor incondicional.

Vilma Vianna eterno sorriso
Uma viajante incansável
Está sempre pronta para o avião pegar
Escritora de Haicai muito sensível
Retrata a vida com palavras lindas
Com uma escrita inconfundível.

Vilma Guerra, guerra só o nome.
É meiga, sensível e brilhante.
Seria um privilégio para todos
Ter sua presença constante
As reuniões iluminadas seriam
Com a luz do seu semblante.

Waldemar Pereira de Souza
Dizem que o elefante nada esquece.
Tenho a absoluta certeza
O seu Waldemar ele não conhece
Dizendo seus poemas de memória.
Deus dá este privilégio a quem merece.

Yara Bastos André Cava
Nome sonoro quanto seu ideal
Com seus cabelos brancos
Torna-se uma pessoa sem igual
Seu destino é escrever, tocar e pintar.
Não dispensamos sua presença genial.

Yeda Pereira, sempre justa.
Faz da justiça sua bandeira
Falando sempre o que pensa
Sincera e muito verdadeira
Em cada palavra que escreve
Reflete a sua força pioneira.

Marilena Abud timidamente
Escreve sua própria vida.
Tem na família o seu esteio.
Isola-se mas o coração a convida,
Suas recordações conosco compartilhar.
Assim não fica no bloco esquecida.

Participamos da Feira do livro,
No Cassino, num calor infernal.
A todos nossos parabéns.
Pela grande festa fenomenal.
Até o calor amenizaram
Com escritores fora do normal.

A casa do Poeta Brasileiro tem orgulho
De a Rio Grande pertencer.
Inspira-se em sua amada Aila
Uma presidente para ninguém esquecer.
Mesmo doente correu do hospital
Para com amor todos enaltecer.

Assim vou terminar
Porque não estou em campanha
Espero que todos entendam
Minha humilde façanha
Desculpem mentes brilhantes
E de sensibilidade tamanha.
FIM

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014



                               
           UM ANO SEM LÍGIA!

                 Na terça-feira,28, a família da nossa saudosa amiga mandou rezar uma missa em sua memória na Catedral Metropolitana. Enquanto isso, na atual sede do Clipe, desencaixotávamos caixas e mais caixas com a mudança para a nova sede na Sociedade Italiana. Sentimos que estávamos orando pela nossa querida mestra. De lá onde ela está, temos a certeza de que ela entendia o nosso trabalho e a ausência da celebração. Temos certeza disso! Fique em paz inspiradora amiga que para sempre ficará em nossos corações.
                     Terezinha Pasqualotto

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Boas férias!


O Centro Literário Pelotense está em férias, mas as penas não param!
Que as Deusas da Poesia não nos deixem descansar!
A todos os amigos, muitas inspirações!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CONVITE

      O Centro Literário Pelotense (CLIPE) tem a honra de convidá-lo (a) para o lançamento e sessão de autógrafos da Coletânea 2013 e o lançamento do livro Jogo de palavras de Marísia J .F. Vieira, dia 25 de novembro às 18h, na Sociedade italiana à rua Santos Dumont, 302.

Programação:
Recital de Poemas de "Lígia Antunes Leivas"
Apresentação de Dança do Ventre
Show Musical
Escritores autografam os livros

      Terezinha Pasqualotto
      Presidente



CLIPE na Feira do Livro de Pelotas

Nesta quarta-feira passada, dia 13 de novembro, o CLIPE se fez presente na Feira do Livro de Pelotas, com um grupo de escritoras apresentando o Recital "Lígia Antunes Leivas".
Convidamos a todos para prestigiarem o evento "Conversando com Escritores", nesta sexta-feira, dia 15 de novembro, às 20h, na Tenda Cultural.

domingo, 20 de outubro de 2013

Por que escolhemos a Poesia? Ou será que foi ela que nos escolheu?

Neste dia do Poeta - 20 de julho, homenagem à inspirada lembrança que nos deixaram nossas queridas poetas, hoje unidas às Musas da Poesia.

" Por que poesia? Por que poesia de amor?
... simplesmente porque tudo na vida- traga a máscara que trouxer- tem sempre o traço poético que poderá ser descoberto com a sensibilidade dos que a têm latente-latejante."
Lígia Leivas (lilu)


"Poeta
Tua missão é nobre- Trazer ao mundo o refrigério da paz e do amor.
Tu, poeta, tens o devaneio natural, encantarás a vida, com a sublime arte: - Poesia!"
Reyzina Vianna Ramos

Convite para o Jantar Anual

Aos amigos do CLIPE:

CONVITE

O Centro Literário Pelotense, tem a honra de convidar V.S., para o jantar festivo em comemoração ao 26o aniversário da entidade.
No ensejo serão entregues os prêmios do Concurso Literário Internacional “Lígia Antunes Leivas” e apresentada a Coletânea anual do Clipe.

Local: Galeteria Lobão
Rua Dr. Amarante, 295
(esquina Gonçalves Chaves)

Data: 28 de outubro de 2013

Horário: 20 horas

Preço por pessoa: R$ 35,00

Sua presença é fundamental para o brilhantismo da festa.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Novo texto para a Ciranda

Cisma de tropeiro

Fogo de chão... brasa acesa,
um tropeiro a cismar.
Aqui tão longe dos pampas,
tem horas que a saudade é tanta
e a vontade de voltar.
Madrugada, campereava
no lombo do seu matungo,
na chuva ou na geada,
não era dono de nada,
mas tinha um pedaço de chão.
Era uma vida bem simples
peleando de sol a sol.
Não tinha luxo nem renda,
nasceu naquela fazenda,
seu pai era o peão.
Cresceu, aprendeu a lida,
seguiu os passos do pai.
Mas o cheiro do progresso
seduzindo aquele moço
traçou rumos desiguais.
Na cidade o passo é outro,
desacorçoado então
vê sua vida se findar.
É só um tropeiro a cismar...
- Por que deixei meu rincão?

            Bel Plá

Resultado

 CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL
            “LÍGIA ANTUNES LEIVAS”
      CENTRO LITERÁRIO PELOTENSE

PROSA

1º lugar – Ilha do Padre
Darci Jorge Martins da Cunha
Pelotas, RS.
2º lugar – O Palhaço e a Borboleta
Paulo Ricardo Centeno de Mattos
São Lourenço do Sul, RS
3º lugar – A velha pereira
Maria Isabel Gonçalves Plá da Silva
Pelotas, RS

                        POESIA

1º lugar – A poesia ronda meus dias
Fátima Armesto
São Lourenço do Sul, RS
2º lugar – Retalhos
Nina Isnardi Ricardo
Pelotas, RS
3º lugar – Meu Porto Seguro
Leynecy Pereira Dorneles 
Rio Grande - RS

MENÇÕES HONROSAS

O Surto
Joaquim Moncks
Pelotas, RS

Fuego
Maria Cristina Drese
Buenos Aires, Ar

O tapete
Reginaldo Costa de Albuquerque
Campo Grande, MS

sábado, 17 de agosto de 2013

Ciranda dos Pagos

Novos textos para Ciranda:

Veterano

Vejo-te à luz de cada madrugada
quando o sol ainda se espreguiça
escondido no horizonte!

Olhar aceso,
sorriso franco,
alheio ao tempo,
vais ao encontro do zaino
à espera no potreiro!

Relembro teus pensamentos
quando trocamos ideias.

"Não importa chuva, o vento...
Não importa frio intenso...
Posso sair por aí!
Posso ser livre e feliz!"
Yeda Araujo Pereira


DESPEDIDA

Vou me despedir, minha hora chegou,
se tenho que ir embora, então eu vou.
Deixo minhas paredes, minha vida,
o pampa amado, que me deu guarida.

Foram tempos belos, não tenho queixa,
não falo do amor, a emoção não deixa.
Despeço-me das ruas, casas, praças,
da nuvem no cerro, feito fumaça.

Levo saudade, embora sem temor
da cidadezinha cheia de encanto,
onde a amizade me fez ver o amor.

E mesmo tão longe, esses sonhos meus
vão me acompanhar, sempre recordando,
da cidade linda, a quem digo adeus.
Bel Plá

Ciranda dos Pagos

Novos textos para a Ciranda:

Chinoca

Mal a noite recolhe seu manto,
E os primeiros raios de sol tingem o céu,
Monto no meu cavalo baio,
E ganho o mundo, ao léu.

Assoviando um trecho rancheiro,
Ganho o mundo na maior solidão,
Não tenho carreta, não tenho tapera,
Nem mesmo tenho um cão.

Procuro nos pagos da vida,
Em costeados que nem tem fim,
Uma chinoca prendada, vivida,
Que cuide muito bem de mim.

Coma do meu arroz carreteiro,
Embalado por um chimarrão,
Nas moitas, que me cobrem do vento,
Ao lado de um fogo de chão.

Tem que ser uma dona experiente,
Que mexa bem a panela,
Pra se agarrar na minha cintura,
E eu, na cintura dela.
Marilena Abud

Minhas saudades


Lá por entre as coxilhas
moram as minhas saudades.
Frágeis como as nuvens
que passam,
densas como o arvoredo
que balança com o vento,
imponente.
Livres para voar,
lançam-se nas montanhas
e alcançam o infinito.
Minhas saudades não choram...
(...)
silenciosas,
oram,
repousam,
no seu lugar de paz.
Bel Plá

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda:

Minhas saudades

Lá por entre as coxilhas
moram as minhas saudades.
Frágeis como as nuvens
que passam,
densas como o arvoredo

que balança com o vento,
imponente.
Livres para voar,
lançam-se nas montanhas
e alcançam o infinito.
Minhas saudades não choram...
(...)
silenciosas,
oram,
repousam,
no seu lugar de paz.
     Bel Plá

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda dos Pagos:

     Milonga

É noite na imensidão do pago...

Acordes de uma gaita chorona
rompem o silêncio no galpão crioulo
atiçando brios de guapos dançadores!

O taco da bota vai marcando
o compasso forte da milonga...

E o vestido da prenda,
amor de fita e renda,
rebolea no seu corpo
cinchado nos braços do seu homem!

Olhos nos olhos...
Como se mais ninguém houvesse no salão.

Toque de mãos...
Linguagem silenciosa dos amantes.

Cumplicidade plena
para fazer da madrugada
um talismã da sorte.

Nada mais importa... Não!

São momentos inéditos, marcantes,
gravados no tempo, na memória.

Até quem sabe irão com a gente afora
pelos caminhos da eternidade!
     Yeda Araujo Pereira

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda dos Pagos:

     MESMO À NOITINHA

Certo dia
Quando a noite já descia
Sobre o casario da cidade,
Sentado no meu carro escutava
Gauchescas cantigas.

E no embalo da canção,
Deixei-me transportar
Até um imaginário rincão,
Onde velho gaúcho e sua prenda
Sorviam seu amargo chimarrão,
Enquanto escutavam no rádio a pilhas
Aquelas mesmas cantigas,
À roda do fogão.

A lua cheia iluminava
Toda aquela erma coxilha,
E a natureza reconciliada
Já toda cochilava;
Só algum quero-quero de guarda
Como se a noite fora pertença sua,
De vez em quando gritava.
E o silêncio era tão tanto
Que dava até para escutar as estrelas
A cochichar com a lua.
     Eduardo de Almeida Farias

sábado, 13 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda.

Obrigado, amigos, pela participação!

VELHO

Tua voz é rouca e poderosa
arrastas em teu passar
o que existe em volta
há muito tempo estás presente
nas coxilhas
a romper com teu canto
as quebradas dos Pampas!

Te chamam velho, e ao te sentir
no horizonte, se amedrontam
mas eu recolho teus penares
e faço meus teus inúmeros
quebrantos!

E muitas vezes clamo contigo
meu velho amigo Minuano!
    Vilma Vianna

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

CARRETAS

Carregas estafas e andanças
e em mim a outrora criança:
ressoam cirandas e lanças.
E o gemido de liberdade
é um aboio nos confins da terra.

Carretas, rondas do tempo,
maniáticas de sóis e lunaréus.

Nave do nauta telúrico,
rancho sobre duas luas,
gêmea de pampas, estrelas e léus,
roçando várzeas, lançantes,
traçando cíclica gesta:
esperanças, trabalho e terra.

Nas lonjuras dos caminhos,
sofrendo encruzilhadas e escarcéus,
arremataste ao gaúcho
verdades abertas no céu.


DO JOGO E DOS CAMBICHOS

Cambichos de suerte
tranqueiam lerdos
e sorros malevas esporeiam
o coração solito
de muitas canchas.

Culo e suerte!
Na tava da vida
a coima é maior
pra quem aposta por fora!

Gineteio
e me solto campo fora
no potreiro do amor.
Freio nos dentes,
amasso flechilhas
e margaridas-do-campo.

Aporreados potranqueiam
os pelos dos cambitos
andarengos.

O desafio é a tirada das coscas.
E ai de quem não se gruda
nas quilinas do matungo!

Culo e suerte!
Na tava da vida a coima é maior
pra quem joga forte!
              Joaquim Moncks 

Ciranda dos Pagos

Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

VETERANO

Vejo-te à luz de cada madrugada
Quando o sol ainda se espreguiça
Escondido no horizonte!

Olhar aceso,
Sorriso franco,
Alheio ao tempo,
Vais ao encontro do zaino
À espera no potreiro!

Relembro teus pensamentos
Quando trocamos ideias.

"Não importa chuva, o vento...
Não importa frio intenso...
Posso sair por aí!
Posso ser livre e feliz!"
      Yeda Araújo Pereira

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

No fogo de chão ardente
O carvão agora em brasa
Assa a carne o peão
Em sua estância amada.

Bolo frito tradicional
Com açúcar e canela o enfeitando
É da culinária gaudéria
Típico prato campeano
          Raquel Monteiro



          Roda de chimarrão

Quando a tarde vai caindo,
E chega o fim do dia,
a passarada vem, em bandos,
para os galhos da grande árvore,
bem na hora da Ave-Maria,
a alma da gente vai se apequenando...

A barra do sol avermelha no horizonte,
e tudo em volta fica sossegado...
tento fugir, mas não tem jeito.
bate aquela saudade de casa,
saudade do meu pago amado,
que carrego dentro do peito.

Tão logo a noite pinta o céu
de lápis preto, e as estrelas, com seu lume
bordam poemas no infinito,
junto os gravetos, faço o fogo,
encho a cambona, meu costume,
e não me sinto mais solito.

Enquanto o fogo vai amornando,
dou um jeito no galpão,
sem muito aprofundamento.
Cevo o mate, incho a erva,
dedilho o violão,
e espero mais um momento.

Finalmente a turma chega,
das suas lides se esquece.
No galopar da cidade,
cada um tem seus tormentos.
O coração da gente se aquece
na grande roda da amizade.
      Bel Plá

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda dos Pagos:

RIO GRANDE DO SUL

Como potro não domado
Cavalguei coxilhas, teu pago;
Minuano por companheiro
Persegui sonhos...
E como o bom semeador
Lancei sementes com amor
Umas deram fruto,
Outras viraram flor.

Como o Jacu desconfiado
Na solidão da querência;
Ou libertário Quero-Quero
Na defesa de seu pago;
Mas potro já domado...
Ei-lo agora bonachão
A oferecer sorrisos e chimarrão:
-Velho amigo... Eu te quero!

E entre causos de galpão
Na rodada de chimarrão,
Lá vai abrindo o coração
Ao estranja recém-chegado;
Fala de seus amores
De chinocas, belezuras,
De emas e sacaracuras
Que habitam este pago.

Gosto de ti Rio Grande do Sul
De gordo gado e trigo loiro
Imenso celeiro,
Opíparo de fartura;
Da tua serra e planura
Do teu jeito sem frescura
De dizeres o que sentes
Na boca de tuas gentes.

Eduardo de Almeida Farias
         

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Novo trabalho para a Ciranda dos Pagos.
Amigo, aguardamos tua participação!

Quero-quero

O vento frio, gelado, cortava rápido
o Pampa. Então,
batia à frouxa janela pesadita a solidão
e o sol nos seus descaminhos
não brilhava mais pra mim.
Até que, simples assim,
um bando de quero-quero
dispersos em frente à praça,
saltita cheio de graça
com seus gritos, correrias,
devolvendo ao coração
dormideiras alegrias.
Esqueço tristeza e luto
só de olhar pro seu penacho
tão lindo que até acho
( vejam só que presunção
desse imodesto peão):
que o bando agora de três
tornaram-me seu freguês,
e me chamam pra brincar!

Vilma Vianna