quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda dos Pagos:

     MESMO À NOITINHA

Certo dia
Quando a noite já descia
Sobre o casario da cidade,
Sentado no meu carro escutava
Gauchescas cantigas.

E no embalo da canção,
Deixei-me transportar
Até um imaginário rincão,
Onde velho gaúcho e sua prenda
Sorviam seu amargo chimarrão,
Enquanto escutavam no rádio a pilhas
Aquelas mesmas cantigas,
À roda do fogão.

A lua cheia iluminava
Toda aquela erma coxilha,
E a natureza reconciliada
Já toda cochilava;
Só algum quero-quero de guarda
Como se a noite fora pertença sua,
De vez em quando gritava.
E o silêncio era tão tanto
Que dava até para escutar as estrelas
A cochichar com a lua.
     Eduardo de Almeida Farias

sábado, 13 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda.

Obrigado, amigos, pela participação!

VELHO

Tua voz é rouca e poderosa
arrastas em teu passar
o que existe em volta
há muito tempo estás presente
nas coxilhas
a romper com teu canto
as quebradas dos Pampas!

Te chamam velho, e ao te sentir
no horizonte, se amedrontam
mas eu recolho teus penares
e faço meus teus inúmeros
quebrantos!

E muitas vezes clamo contigo
meu velho amigo Minuano!
    Vilma Vianna

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Como participar da Ciranda dos Pagos

Queridos amigos clipeanos e não-clipeanos!
A Ciranda dos Pagos já começou e encerra no dia 20 de setembro, data farroupilha.

Todos os trabalhos enviados serão postados aqui nas postagens do blog, conforme forem chegando. E serão apresentados para apreciação nas respectivas páginas que estão na parte superior do mesmo: "Ciranda dos Pagos- Quadras" e "Ciranda dos Pagos- Poemas".

Formas de envio:
- Entregue nas reuniões do Clipe, às segundas-feiras, às 15 h, na biblioteca da SMED;
- Enviado por e-mail para o endereço:
  poetaalma@yahoo.com.br;
- Postado no Mural do facebook do Clipe Pelotense:
https://www.facebook.com/clipe.pelotense?fref=ts

Cada autor pode enviar quantos trabalhos desejar, na modalidade quadra ou poema.
Participem, amigos! Nosso desejo é que esta ciranda tenha tanta aceitação como foi a Ciranda do Jubileu.
Abraços fraternos!


Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

CARRETAS

Carregas estafas e andanças
e em mim a outrora criança:
ressoam cirandas e lanças.
E o gemido de liberdade
é um aboio nos confins da terra.

Carretas, rondas do tempo,
maniáticas de sóis e lunaréus.

Nave do nauta telúrico,
rancho sobre duas luas,
gêmea de pampas, estrelas e léus,
roçando várzeas, lançantes,
traçando cíclica gesta:
esperanças, trabalho e terra.

Nas lonjuras dos caminhos,
sofrendo encruzilhadas e escarcéus,
arremataste ao gaúcho
verdades abertas no céu.


DO JOGO E DOS CAMBICHOS

Cambichos de suerte
tranqueiam lerdos
e sorros malevas esporeiam
o coração solito
de muitas canchas.

Culo e suerte!
Na tava da vida
a coima é maior
pra quem aposta por fora!

Gineteio
e me solto campo fora
no potreiro do amor.
Freio nos dentes,
amasso flechilhas
e margaridas-do-campo.

Aporreados potranqueiam
os pelos dos cambitos
andarengos.

O desafio é a tirada das coscas.
E ai de quem não se gruda
nas quilinas do matungo!

Culo e suerte!
Na tava da vida a coima é maior
pra quem joga forte!
              Joaquim Moncks 

Ciranda dos Pagos

Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

VETERANO

Vejo-te à luz de cada madrugada
Quando o sol ainda se espreguiça
Escondido no horizonte!

Olhar aceso,
Sorriso franco,
Alheio ao tempo,
Vais ao encontro do zaino
À espera no potreiro!

Relembro teus pensamentos
Quando trocamos ideias.

"Não importa chuva, o vento...
Não importa frio intenso...
Posso sair por aí!
Posso ser livre e feliz!"
      Yeda Araújo Pereira

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novos textos para a Ciranda dos Pagos:

No fogo de chão ardente
O carvão agora em brasa
Assa a carne o peão
Em sua estância amada.

Bolo frito tradicional
Com açúcar e canela o enfeitando
É da culinária gaudéria
Típico prato campeano
          Raquel Monteiro



          Roda de chimarrão

Quando a tarde vai caindo,
E chega o fim do dia,
a passarada vem, em bandos,
para os galhos da grande árvore,
bem na hora da Ave-Maria,
a alma da gente vai se apequenando...

A barra do sol avermelha no horizonte,
e tudo em volta fica sossegado...
tento fugir, mas não tem jeito.
bate aquela saudade de casa,
saudade do meu pago amado,
que carrego dentro do peito.

Tão logo a noite pinta o céu
de lápis preto, e as estrelas, com seu lume
bordam poemas no infinito,
junto os gravetos, faço o fogo,
encho a cambona, meu costume,
e não me sinto mais solito.

Enquanto o fogo vai amornando,
dou um jeito no galpão,
sem muito aprofundamento.
Cevo o mate, incho a erva,
dedilho o violão,
e espero mais um momento.

Finalmente a turma chega,
das suas lides se esquece.
No galopar da cidade,
cada um tem seus tormentos.
O coração da gente se aquece
na grande roda da amizade.
      Bel Plá

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ciranda dos Pagos

Novo texto para a Ciranda dos Pagos:

RIO GRANDE DO SUL

Como potro não domado
Cavalguei coxilhas, teu pago;
Minuano por companheiro
Persegui sonhos...
E como o bom semeador
Lancei sementes com amor
Umas deram fruto,
Outras viraram flor.

Como o Jacu desconfiado
Na solidão da querência;
Ou libertário Quero-Quero
Na defesa de seu pago;
Mas potro já domado...
Ei-lo agora bonachão
A oferecer sorrisos e chimarrão:
-Velho amigo... Eu te quero!

E entre causos de galpão
Na rodada de chimarrão,
Lá vai abrindo o coração
Ao estranja recém-chegado;
Fala de seus amores
De chinocas, belezuras,
De emas e sacaracuras
Que habitam este pago.

Gosto de ti Rio Grande do Sul
De gordo gado e trigo loiro
Imenso celeiro,
Opíparo de fartura;
Da tua serra e planura
Do teu jeito sem frescura
De dizeres o que sentes
Na boca de tuas gentes.

Eduardo de Almeida Farias